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Exercícios sobre o Arcadismo no Brasil

O Arcadismo no Brasil, assim como toda estética literária, constitui-se de aspectos específicos, sobretudo no que se refere a posicionamentos ideológicos!


Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
  • Questão 1

    O poema que segue é de Cláudio Manuel da Costa, um importante representante do Arcadismo brasileiro. Dessa forma, leia-o atenciosamente eresponda ao que se pede:

    Quando cheios de gosto e de alegria

    Quando cheios de gosto, e de alegria
    Estes campos diviso florescentes,
    Então me vêm as lágrimas ardentes
    Com mais ânsia, mais dor, mais agonia.

    Aquele mesmo objeto, que desvia
    Do humano peito as mágoas inclementes,
    Esse mesmo em imagens diferentes
    Toda a minha tristeza desafia.

    Se das flores a bela contextura
    Esmalta o campo na melhor fragrância,
    Para dar uma ideia da ventura;

    Como, ó Céus, para os ver terei constância,
    Se cada flor me lembra a formosura
    Da bela causadora de minha ânsia?

    a-      Por meio do poema, sobretudo em se tratando das duas primeiras estrofes, constatamos uma nítida oposição entre as condições inerentes ao eu-lírico e as condições da paisagem bucólica. Nesse sentido, procure retratar suas impressões acerca de ambos os posicionamentos.

    b – O texto literário, ora assim se definindo, constitui-se de uma figuratividade notória, dada a condição subjetiva da linguagem nele expressa. Dessa forma, qual a figura de linguagem que se manifesta no poema em questão? Retrate-a por meio de exemplos.

    c – Por se tratar de uma criação cujo autor pertenceu à época árcade, procure analisar novamente o poema e identificar nele características condizentes ao estilo em questão (Arcadismo).

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  • Questão 2

    (FESP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao Arcadismo.

    a) Desenvolvimento do gênero épico, registrando o início da corrente indianista na poesia brasileira.

    b) Presença da mitologia grega na poesia de alguns poetas desse período.
    c) Propagação do gênero lírico em que os poetas assumem a postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado.
    d) Circulação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político.
    e) Penetração de tendência mística e religiosa, vinculada à expressão de ter ou não fé.
     

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  • Questão 3

    Odistanciamento da mulher amada e o sofrimento do eu-lírico desse fato decorrente representaram algumas marcas das criações árcades. No entanto, em Marília de Dirceu- uma das obras que nos deixara este importante poeta árcade – Tomás Antônio Gonzaga, constatamos que essa evidência pendeu para um outro aspecto. Partindo desse pressuposto, estabeleça familiaridade com a criação de Cláudio Manuel da Costa, bem como com a de Tomás Antônio Gonzaga, no sentido de demarcar as diferenças entre as concepções acerca da figura feminina nos dois autores:

    Lira XI

    [...]

    Mas tenho ainda mais cruel tormento:
    Por coisas que me afligem, roda, e gira
    Cansado pensamento.
    Com retorcidas unhas agarrado
    Às tépidas entranhas não me come
    Um abutre esfaimado;
    Mas sinto de outro monstro a crueldade:
    Devora o coração, que mal palpita,
    O abutre da saudade.
    Não vejo os pomos, nem as águas vejo,
    Que de mim se retiram quando busco
    Fartar o meu desejo;
    Mas quer, Marília, o meu destino ingrato
    Que lograr-se não possa, estando vendo
    Nesta alma o teu retrato.
    Estou no Inferno, estou, Marília bela;
    E numa coisa só é mais humana
    A minha dura estrela:
    Uns não podem mover do Inferno os passos;
    Eu pretendo voar, e voar cedo
    À glória dos teus braços.


    Tomás Antônio Gonzaga.

    Ai Nise amada...

    Ai Nise amada! se este meu tormento,
    se estes meus sentidíssimos gemidos
    lá no teu peito, lá nos teus ouvidos
    achar pudessem brando acolhimento;

    como alegre em servir-te, como atento
    meus votos tributara agradecidos!
    Por séculos de males bem sofridos
    trocara todo o meu contentamento.

    Mas se na incontrastável pedra dura
    de teu rigor não há correspondência
    para os doces afetos de ternura,

    cesse de meus suspiros a veemência;
    que é fazer mais soberba a formosura
    adorar o rigor da resistência.

                                             Cláudio Manuel da Costa

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  • Questão 4

    (UFRS) Instrução: Os fragmentos abaixo se referem à questão a seguir:

    I – Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera

    Achar-te uma alma, que por ti suspira (...)

    II – Glaura! Glaura! Não respondes?

    E te escondes nestas brenhas?

    Dou às penhas meu lamento;

    Ó tormento sem igual!

    III – Minha bela Marília, tudo passa:

    A sorte deste mundo é mal segura

    Se vem depois dos males a ventura,
    Vem depois dos prazeres a desgraça.

    Os poetas árcades brasileiros tinham as suas musas inspiradoras, a quem se dirigiam frequentemente em seus poemas. Pelas musas, evocadas nos versos acima, pode-se dizer que os seus autores são, respectivamente:

    a) Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga.
    b) José Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto.
    c) Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto
    d) Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Frei Santa Rita Durão.
    e) José Basílio da Gama, Frei Santa Rita Durão e Tomás Antônio Gonzaga

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Respostas


  • Resposta Questão 1

    a– Detectamos uma verdadeira oposição manifestada entre esse cenário (a natureza) e o modo como se sente o eu-lírico, cujos aspectos se revelam já na primeira estrofe:

    Quando cheios de gosto, e de alegria
    Estes campos diviso florescentes,
    Então me vêm as lágrimas ardentes
    Com mais ânsia, mais dor, mais agonia.

    Nesse sentido, aplaudimos uma “foto” paisagística bela, exuberante, radiante, enquanto que o estado de alma do eu-lírico se mostra totalmente o inverso – o que causa certa estranheza, haja vista que por a natureza assim se apresentar, era de se esperar que ele reconhecesse nesse cenário o lugar ideal para afastar as mágoas, como bem expôs por meio dos versos:

    Aquele mesmo objeto, que desvia
    Do humano peito as mágoas
    inclementes,

    b- Evidencia-se como recurso estilístico a antítese, a qual  pode ser revelada por meio dos seguintes exemplos:

    * Quando cheios de gosto, e de alegria X Então me vêm as lágrimas ardentes
    Com mais ânsia, mais dor, mais agonia.

    * Aquele mesmo objeto, que desvia
    Do humano peito as mágoas inclementes X Esse mesmo em imagens diferentes
    Toda a minha tristeza desafia.

    c – Uma das características que mais se evidenciam no poema é a exaltação da natureza, haja vista ser esse local o de purificação, opondo-se veementemente à vida citadina. Dessa forma, esse tom bucólico, essa natureza intocada pelo ser humano serve como refúgio para as inquietações da alma.  Outro aspecto que também podemos notar diz respeito às máximas latinas tão predominantes na poesia árcade, em especial o fugere urbem (fugir da cidade), cuja proposta se deve ao fato de o enunciado se entregar aos valores do campo em oposição aos da cidade. Inutilia truncat também é outra máxima latina que se faz evidente nessa criação, manifestada sob o propósito de fazer uso da simplicidade e inutilizar os rebuscamentos formais, tão apregoados no Barroco.

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  • Resposta Questão 2

    Atesta-se como alternativa condizente ao enunciado da questão aquela demarcada pela letra “C”, visto ser tal característica referente à outra estética literária que antecedeu ao Arcadismo: o Barroco. Dessa forma, podemos atribuir a Gregório de Matos Guerra esse posicionamento que, como expresso na alternativa, manifestou-se nas criações de cunho satírico, nas quais ele criticava os governantes, corruptos, padres, aproveitadores etc.

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  • Resposta Questão 3

    O autor em questão – Tomás Antônio Gonzaga – ao ser comparado com os demais que também compuseram o estilo árcade, mostrou-se inovador, sobretudo no que diz respeito à figura feminina. Trata-se de uma passagem, digamos assim, entre o Arcadismo e o Romantismo, visto que tal figura se mostra mais próxima da realidade, diferentemente do que ocorre com a Nise, de Cláudio Manuel da Costa. Partindo desse pressuposto, cabe afirmar que esse posicionamento assumido pelo autor se deve ao fato das vivências que tivera enquanto se manteve preso. Nesse sentido, emotividade, subjetividade e espontaneidade são características recorrentes, sendo pouco depois aprofundadas na estética seguinte.

    A título de ilustração do que foi dito, constatemos os seguintes versos:

    Estou no Inferno, estou, Marília bela;
    E numa coisa só é mais humana
    A minha dura estrela:
    Uns não podem mover do Inferno os passos;
    Eu pretendo voar, e voar cedo
    À glória dos teus braços.

    Já em Cláudio Manuel da Costa, o distanciamento sobre o qual falamos é fato contundente, ou seja, ele realmente deseja, embora tenha ciência de que se trata de algo inatingível, distante, a saber, por meio dos seguintes versos:

    [...]

    Mas se na incontrastável pedra dura
    de teu rigor não há correspondência
    para os doces afetos de ternura,

    cesse de meus suspiros a veemência;
    que é fazer mais soberba a formosura
    adorar o rigor da resistência.

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  • Resposta Questão 4

    Ideal para o enunciado em questão, apostamos na alternativa demarcada pela letra “A”, visto retratar personagens que se atribuem a tais autores.

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